Casinha: supostamente boutique café

Consegui finalmente ir ao Casinha – Boutique Café na Avenida da Boavista! Já lá tinha passado várias vezes mas por variadas razões nunca consegui entrar naquilo que me pareceu ser um local fantástico e uma melhoria na oferta generalizada de cafés naquela zona da cidade.

Vendo de fora (literalmente) imaginei um ambiente limpo, branco, com o que pareciam ser produtos bem selecionados, uma pequena loja gourmet no interior com vinhos, compotas e outros produtos do género gourmet, que até podiam ser os mesmos que se vendem em supermercados mas com uma exposição tão bem cuidada que ganham logo outro encanto.

De uma das vezes até tive um vislumbre da esplanada, que me fez logo lembrar a do Labirintho no tempo em que o Labirintho tinha esplanada na verdadeira acepção da palavra.

E gostei logo do quadro negro no exterior, com frases que mudavam ao longo do dia: de manhã anunciam o brunch, à noite o jantar.

E depois da minha visita pude confirmar que esta construção mental se revelou perfeitamente enquadrada na realidade: o local é fantástico, extremamente bem decorado, com pormenores que revelam uma grande atenção ao detalhe e muito bom gosto. O espaço é limpo, respira-se bem e o ambiente é engraçado.

O problema é que tinha esperança que este local viesse a ser uma alternativa ao Arcádia, que como se sabe, embora num espírito diferente, também tem um decoração cuidado, produtos próprios e um ambiente engraçado, mas sofre do grande mal de ter um péssimo atendimento. Pelo profundo e total desinteresse que os donos ou gerentes demonstram pelo clientes, os próprios empregados vão (e foram) ganhando essa atitude e ir ao Arcádia equivale a ir pedir o favor de sermos servidos com o mínimo de atenção.

Ora este novo concorrente é pior! Espantoso mas verdade. O atendimento (no que espero venha a ser a primeira e última vez que lá ponho os pés) foi simplesmente vergonhoso.

Para começar o tempo infinito que demoram a servir simples cafés. Não há atendimento à mesa: os pedidos são feitos ao balcão e levados pelo próprio cliente. Uma opção, pronto, mas uma opção que supostamente teria como resultado um serviço mais célere. Nem assim… Filas para pedir um café e umas fatias de bolos já cortados! Nem quero imaginar como é que será ao almoço pedir o menu!

Depois gostei (isto é sarcástico) de ao pedir um café ter como resposta a pergunta “Um expresso?” acompanhado do olhar que dizia: “Aqui somos pessoas finas, não somos labregos ignorantes como tu, logo dizemos expresso em vez de café”. Eu sei que na lista está escrito expresso, mas não me parece que um estabelecimento possa ter a pretensão de mudar toda uma cultura de várias gerações, tão ligada à forma de socializar de uma cidade e de um país, que definiu que o termo café representa determinado produto alimentar, servido de determinada forma em determinado recipiente. Ou se calhar até têm mesma essa pretensão…

Mas tudo bem: aqui os empregados têm a mania. Nada de novo. Mas enfim, eu queria “isso” para mim e para este um cappuccino. Ok. Pagamos, recebemos o troco. Recebemos a factura. E o café e o cappuccino? A senhora que veio depois de nós pediu e pagou a meia-de-leite e a fatia de bolo e saiu. Então e nós?

Reparamos nos empregados. Uma (a que nos atendeu) tanto está ao balcão como não está. E o que é que ela tem tanto para fazer lá fora? Não há serviço de mesa…

A colega tanto está a mexer na máquina do café (e não é tirar cafés: nós não recebemos o nosso e já não há clientes há espera) como está a passar travessas de bolos sujas por água e a pousá-las em cima de uma toalha que está em cima da máquina de café. Uma toalha daquelas de cozinha que todos temos em casa e que usamos para limpar os pratos ou as mãos enquanto cozinhamos.

E depois temos um rapazito que até é simpático, mas mais uma vez ora está a mexer na máquina do café, ora está a operar uma geringonça que de alguma forma está ligada a leite mas nada que tenha como resultado prático servir o cliente.

A miúda das “limpezas” pergunta se já estamos atendidos. “Já pedimos, estamos à espera de um café e de um cappuccino.” Como já estávamos atendidos volta para as limpezas… Alguém que nos atende que ela ali tem coisas importantes para fazer!

Nisto chega a rapariga que nos atendeu que diz: “Para aqui é um café e um cappuccino.” Mas recebê-los, nada. Passado algum tempo lá chega o meu café. Boa. E o cappuccino? Afinal temos de esperar mais um bocadinho… Tivéssemos pedidos dois cafés! Ou dois expressos: aí se calhar já estávamos despachados.

Miserável, vergonhoso. O espaço lá fora até era engraçado, mas eu sinceramente gostava de ter um café com bom aspecto, engraçado, com um serviço que correspondesse minimamente à imagem do local. Já nem sequer digo um atendimento fantástico, mas pelo menos profissional.

E retomando o que disse atrás, ao menos na Arcádia o atendimento é lento e demorado mas não é, nem de longe nem de perto, esta miséria que senti na Casinha.

Pelos vistos se quisermos atendimento personalizado e pessoal tenho de ir aos tascos, de que dou como exemplo o Sr. Manuel, logo ali ao lado: aquilo é o estereótipo de como um cliente pode ser atendido de forma a sentir-se em casa, com vontade de voltar, mesmo que o espaço em si não seja bom nem inovador nem sequer atraente. Já se quisermos ir a um sítio todo pipi e chique temos de me nos contentar com um atendimento mau.

Será que o preço a pagar por um café giro e engraçado é sempre um serviço foleiro e vice-versa? O conceito de boutique para mim envolve também o atendimento, mas aqui esse “pormenorzinho” ficou completamente de fora do projecto inicial…

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11 thoughts on “Casinha: supostamente boutique café

  1. Boa tarde,
    A gerência da Casinha Boutique Café agradece todos os seus reparos e opinião crítica, sobre os quais foram desde já tomadas medidas no sentido de melhorar o serviço ao cliente. Reconhecemos a justiça das suas críticas relativas aos dias 15 e 16 de Setembro, um fim de semana de grande afluência ao espaço.
    Gostaríamos que compreendesse que o nosso conceito é inovador e diferente dos demais.
    Pretendemos, sem pretenciosismos snobs, explicar o nosso conceito, os nossos produtos um pouco menos usuais em Portugal e pretendemos ser transparentes, daí fazermos tudo à frente do cliente, sem segredos desde a confecção aos nossos preçários e quantidades. Esta posição face ao cliente, torna-nos também mais visíveis e vulneráveis à vista quando as coisas correm menos bem.
    Na convicção de que nos dará uma oportunidade e voltará ao nosso espaço, aproveito para o convidar para as nossas Tertúlias que iremos realizar no mês de Novembro de 2012 em Co-organização com a ONG InComunidade.

    Grato pela atenção.
    CASINHA BOUTIQUE CAFÉ

  2. Cara Gerência,

    Acho fantástico que se tenham dado ao trabalho de responder a uma crítica num blog obscuro. Acho fenomenal que se tenham dado ao trabalho de ser simpáticos, reconhecer que existem coisas a melhorar e estarem disponíveis para o fazer.

    A vossa diferença nota-se logo mal se olha para a montra, salta à vista em todos os pequenos pormenores da decoração e dos produtos. Já o tinha referido, e fico contente que existam pessoas com vontade para desenvolver ideias e conceitos diferentes.

    Mas, e julgo que não o expliquei bem no artigo, o problema não foi algo que correu menos bem no serviço. O problema, meu e de outras pessoas que tiveram exactamente a minha opinião, foi o de, indo ao Casinha, e não nesse fim-de-semana de 15 e 16 de Setembro, serem tratados como uns labregos que não percebem o vosso “conceito diferente”.

    Eu já estive em vários cafés, especialmente de estilo francófono (que é uma clara influência da Casinha), noutros com outro tipo de estilo e influência, quer em Portugal, que por essa Europa fora.

    E em todos eles, aquilo que faz a diferença é a empatia que os funcionários têm connosco. A maior espelunca ganha outra vida quando somos atendidos por alguém que quer que nos sintamos em casa.

    O que se passou não foi um momento mais infeliz, mas sim o extravasar da atitude da casa: “nós somos diferentes, somos melhores e quem cá vier está abaixo de nós”.

    E posso não conhecer as pessoas, mas conhecendo a forma como as organizações empresariais funcionam garanto que essa atitude vem de cima, da Gerência…

    Ou porque é assim que esta pensa ou porque não está a transmitir correctamente aos funcionários o espírito pretendido e haverá ruído na comunicação empresarial.

    Agora o engraçado da questão: nada disto interessa! Foi essa a razão para escrever o artigo: a Casinha parece ter pegado e os clientes vão continuar a frequentá-la só porque sim, mesmo que sejam tratados a pontapé. Particularmente em Portugal, uma casa na moda vai ser frequentada só por ser o sítio onde se tem de estar.

    Acho que muito poderia melhorar se os clientes se recusassem a continuar a frequentar uma casa, seja esta uma loja, um restaurante ou um café, onde o atendimento não fosse minimamente decente.

    Eu sei que é remar contra a maré: veja-se o caso da Arcádia! Continua com clientes. O engraçado é que as mesmas loja (no sentido lato) que tratam os clientes como atrasados mentais são aquelas que nos momentos piores (quando o período áureo se desvanece e/ou a economia entra em desaceleração) não hesitam em queixar-se dos clientes que deixaram de aparecer. Talvez se quando estiveram na moda se tivessem preocupado em cativar os clientes quando o glamour se desvanecesse eles continuassem a lá ir pelo bom serviço…

    Mas já estou a divagar demasiado. Numa situação normal nunca mais voltaria a pôr os pés na Casinha por uma questão de princípios (de gestão e marketing) mas já que recebi um comentário tão profissional (fossem todos os funcionários como a Gerência) irei visitar-vos outra vez. Talvez não nas tertúlias, veremos.

    E como cortesia, se nada tiver mudado vou ficar caladinho porque não vale a pena bater no ceguinho, mas se realmente houver mudanças será a minha obrigação moral referir-las.

    E para terminar, mesmo com tudo o que disse, espero que corra tudo bem convosco. Porque mesmo que a situação ideal seja ser bem servido num sítio agradável, a ser mal servido antes seja num local aprazível que numa espelunca. E a vossa casa é de se lhe tirar o chapéu.

    • Tem toda a razão senhor adalberto quando refere que o trataram como um labrego porque na realiadade depois de ler “tão vasta prosa”, tenho muito simplesmente duas ou três observações a fazer. Só mesmo um LABREGO é que teria a falta de educação de pelo facto de não ter gostado do atendimento (…) se referir às pessoas que trabalham naquele espaço da forma depreciativa como o faz ( a miúda das limpezas – um rapazinho ).Gostava de saber é quem é o snob? E gostave de o ouvir falar assim do filho ou filha do Sr Manuel do tasco ao lado! Gostava, gostava!! O mais certo era ele fo. -lhe as bentas porque ele é exatamente o tipo de pessoa que se fosse a um local e não gostasse do atendimento reclamava na hora mandava alguém abaixo de Braga e o assunto ficava ali logo resolvido. adalberto fique-se pela arcádia porque pela sua prosa nem catgoria tem para entrar num tasco pelo menos um tasco no Porto!

      • Sinceramente não entendo o que chamar a uma rapariga de 20 e poucos anos que estava a limpar de rapariga de limpeza e a um rapaz com ar bastante novo de rapazinho tem de insultuoso. Acho que descreve bem as pessoas que vi sem qualquer juízo de valor.

        Imagino que se passasse por mim quando estou a trabalhar na construção também me chamaria de “trolha” e me descreveria como “rapazinho”, e o que para mim seria a mais pura das verdades imagino que para si seria um insulto. Peço desculpa mas aqui quem é snob não sou eu…

        E quanto ao facto de dizer que um determinado tipo de pessoas reclamava na hora e o assunto fica arrumado é sinal de quem nem sequer se deu ao trabalhar de ler o que escrevi, pelo que não vou comentar a sua última observação.

  3. Como é que é suposto levar esta opinião sobre a “casinha” a sério quando no próprio site ou blog obscuro (usando as tuas palavras), usas publicidade, ou seja esta a ganhar dinheiro quando emites a tua opinião. Como é que sabermos se esta é a tua opinião ou um golpe de marketing?!

    • Bem, sobre levar ou não a opinião a sério isso depende unicamente do leitor: quem quiser levar a sério, leva a sério. Quem levar na brincadeira, ri-se! E por aí adiante…

      Quanto à publicidade, ou sobre a possibilidade de eu estar a ganhar dinheiro quando emito a minha opinião, isso não é verdade. Apesar de não me importar de poder viver da escrita de artigos de opinião, infelizmente ainda não tenho esse estatuto. Para informação ficam aqui dois links sobre o assunto: um na página de ajuda da Worpress e outro no forum da worpress .

      Mas mesmo que eu ganhasse dinheiro a emitir a minha opinião não limitaria a validade da mesma! É à custa da publicidade e das vendas que os críticos gastronómicos dos jornais nacionais recebem o salário…

      E mais: não sou o único a dizer o mesmo. No blog O Porto Cool, por exemplo, na entrada sobre a Casinha, o utilizador BB no seu comentário chamou a atenção do seguinte:

      Melhorias: atenção à simpatia do pessoal e eficiência do atendimento, este é quase sempre um ponto mais fraco em todos os estabelecimentos de restauração no nosso País!

      O Paulo achou o serviço mediano.

      Ao mesmo tempo existem pessoas que acham o serviço bom… Agora depende da atitude da gerência ou os donos para com os comentários destas pessoas: ou levam a sério e tentam perceber o que pode estar a falhar e tentam melhorar ou não levam a sério e fazem ouvidos de mercador.

      Sobre o golpe de marketing: o primeiro comentário que recebi da Gerência foi extremamente fantástico e muito profissional. O maior golpe de marketing que a Casinha podia ter tido (à escala deste vosso blog escuro, claro está) seria eu daqui a algum tempo escrever um comentário a dizer que da segunda vez que lá fui notei melhorias no atendimento e que se na minha primeira visita não gostei provavelmente foi por alguma falha temporária.

      Mas o que eu e as outras (poucas) pessoas que lerem o artigo vão pensar é: “Deu a sua opinião, semelhante a outras e como resposta insinuaram que lhe deviam

      fo. -lhe as bentas

      disseram que devia estar a ganhar dinheiro por inventar uma crítica, etc. Se há aqui um golpe de marketing contra a casinha ele está a ser conduzido pelas pessoas que supostamente estariam a tentar defendê-la…

  4. Conforme combinado com a gerência vou aqui relatar uma experiência positiva no atendimento da casinha. Bastante diferente da primeira visita, e inclusivé num dia com algum movimento, o atendimento foi célere, profissional e cortês.

    Fico feliz por ter havido melhorias no atendimento.

  5. Esta zona da Boavista esta cada vez melhor…
    Se na Casinha nem sequer há serviço à mesa e está sempre com filas intermináveis, agora abriu este restaurante vegetariano Carne Viva.
    No relatório do Turismo de Portugal 2013-2015, o Estado Português/ Turismo de Portugal “paitrocinou” este restaurante vegetariano com 1.700.000€! Estamos a ser assaltados.
    Um restaurante vegetariano pequenote e pretensioso que a comparar com muitos mais modestos (espera-se) como o Essencia deixa muito a desejar. A comida até é boazinha (nada de inovador) mas o serviços e os preços, meu deus.
    Assim se vive no nosso Portugal, português!

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