Mais um perfeito desperdício de largura de banda…

Reencaminharam-me hoje um e-mail alertando para um suposto virus relacionado com a actualização do Windows Live ID:

UM ALERTA DAS AUTORIDADES POLICIAIS:

Pelo teu computador e pelo meu, faz circular este aviso para os teus amigos
e contatos familiares!

Nos próximos dias estejam atentos: não abram qualquer mensagem que contenha um arquivo anexo chamado:

“Atualização do Windows live” independentemente de quem te enviar.

É um vírus que queima todo o disco rígido. Este vírus virá de uma pessoa conhecida que tem a tua lista de endereços.

É por isso que deves enviar esta mensagem a todos os teus contatos.

Se receberes alguma mensagem com o anexo “Windows Live Update”, mesmo que seja enviado por um amigo, não o abras e desliga imediatamente o teu computador.

Este é o pior vírus anunciado pela CNN, e foi classificado pela Microsoft como o vírus mais destrutivo que já existiu.

Este vírus foi descoberto ontem pela McAfee.

Não há possibilidade de reparação para este tipo de vírus.

Ele simplesmente destrói o Sector Zero do disco rígido.

Lembra-te: se enviares esta informação aos teus contactos, vais proteger-nos a todos.

A primeira coisa que me fez desconfiar foi o “faz circular este aviso”… E todo o resto do texto é, no mínimo, suspeito. Mas a verdade é que este tipo de mensagens continuam a circular e a re-circular, a entupir caixas de correio e a fazer-nos perder tempo.

Como regras da vida, a seguir às básicass como tratar bem a família, respeitar a natureza e o meio-ambiente, ajudar os idosos a atravessar a rua, etc, etc, etc, tenham em atenção o seguinte:

  • Não re-enviar e-mails que nos pedem para ser reenviados. Se for realmente importante é óbvio que o vamos fazer. Se nos estão a pedir é porque talvez, numa situação normal, não o fizessemos.
  • Nunca abram ficheiros enviados em e-mails a não ser que saibam exactamente quem o fez, quem vos enviou. E mesmo que tenham a certeza, tenham cuidado: o computador remetente pode estar infectado. O que nos leva ao ponto seguinte…
  • Anti-virus. Anti-virus. Anti-virus. E anti-virus. Já vos falei dos anti-virus? Ah!, e não se esqueçam dos antivirus. Sabiam que existem umas coisas chamadas anti-virus que como o próprio nome indica vos podem proteger dos virus? É impressionante como certos ficheiros maliciosos ou blocos de código de programação diversos (que podem realmente, quando activos, apagar-vos o disco duro ou até registar as palavras-passe que inserem ao entrar no site do vosso banco) continuam activos passados anos e anos! Quando podíamos todos resolver a situação se tivessemos todos um anti-virus actualizado (e existem excelentes anti-virus gratuítos por aí).
  • Reenviar informação desta não resolve nada. O que resolve esta situação é termos um anti-virus actualizado a correr e geralmente um pouco de bom-senso.

    Se estivessem a passear na rua e um perfeito desconhecido vos dissesse:

    Peço desculpa, mas descobriu-se uma nova variante do vírus da gripe das aves, e para se proteger tem de entrar nesta casa aqui ao lado e tomar a vacina que lhe vamos dar.

    alguém no seu perfeito juízo entraria numa casa qualquer, a conselho de um desconhecido, para tomar uma vacina que não sabe o que é? Então porque é que passamos a vida a clicar em links enviados inicialmente por um “amigo” ou “amiga” – neste caso, as “Autoridades Policiais”- que vos pede para entrarem num site que nunca ouviram falar para fazerem algo que não sabem muito bem o que é.

    Na dúvida, confirmem. No caso em cima: foram ao site da CNN? Nada sobre este assunto. Site da Microsoft? Nada sobre este assunto.

    Reenviar este tipo de e-mails não resolve problema nenhum: provavelmente só vai agravá-lo: por vezes sob a capa de divulgação de informação benigna vêm links para sites ou ficheiros em anexo que esses sim nos podem trazer problemas.

    Em resumo: bom-senso e anti-virus…

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    2 thoughts on “Mais um perfeito desperdício de largura de banda…

      • O vídeo da CNN fala do Conficker, um vírus que quando apareceu causou terror (chegou-se a falar de um Pearl Harbour digital) mas que acabou por não causar tantos danos quanto se pensava (i.e., a destruição das redes informáticas a nível mundial). Apesar tudo mantêm-se demasiado activo com uma estimativa de dezenas de milhões de computadores infectados.
        Este vírus (como muitos outros vírus, trojans, etc) não se propaga apenas por um determinado e-mail com determinado assunto ou ficheiro. Pode ser transmitido em qualquer e-mail, por pens usb, CDs ou DVDs, navegando na Internet, etc.
        Podemos não abrir o e-mail com o assunto “Atualização do Windows live” e mesmo assim ser infectados.
        Volto a repetir o que disse no artigo:

        • Em primero lugar, anti-vírus. A maior parte dos vírus e outro software malicioso é detectado por soluções que podem ir desde as empresariais mais complexas até às gratuitas para uso doméstico.
        • Manter o sistema operativo e o software actualizado. Isto permite que as falhas do software que foram entretanto descobertas sejam corrigidas restringindo as possibilidades de infecção, neste caso pelo Conficker. Este vírus em particular utiliza uma falha no sistema operativo da Windows. A empresa já lançou um software e remoção do vírus (que deve ser descarregado do site oficial) e lançou uma actualização ao sistema operativo para impedir novas infecções.
        • Bom senso. Embora agora estejam a ser muito utilizadas técnicas de engenharia social cada vez mais credíveis para nos levar a clicar em links esquisitos, convêm, antes de o fazermos, perguntar-mo-nos se vamos mesmo receber uma fortuna por clicar nesse link, para que é que uma determinada aplicação do Facebook de uma empresa que não conhecemos precisa de ter acesso a todos os nossos contactos e permissão para postar em nosso nome, verificar os remetentes dos e-mails que recebemos, etc.

        A partir do momento em que o nosso computador está on-line ou recebe CDs, DVDs e pens do exterior estamos sujeitos a ser infectados: não existem tecnologias invulneráveis e à prova de falha, e mesmo que tenhamos muito bom-senso, um anti-vírus instalado e restrinjamos a nossa navegação na Internet, podemos mesmo assim vir a ser infectados, mas a probabilidade de tal acontecer é inversamente proporcional ao esforço que colocamos na nossa protecção.

        Para mais informação sobre o Conficker com sugestões de protecção e defesa (sites fora do wordpress):

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